A deficiência
A deficiência não precisa de ser um obstáculo para o sucesso. É possível viver e trabalhar com dignidade.
Existem diversas barreiras enfrentadas e ultrapassadas pelas pessoas com deficiência: físicas, financeiras e de discriminação.
Está ao nosso alcance ir de encontro a essas barreiras e dar a estas pessoas a oportunidade de brilhar!
A CIF
A CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde) é um novo sistema de classificação inserido na Família de Classificações Internacionais da Organização Mundial de Saúde (OMS) (World Health Organization Family of International Classifications - WHO-FIC), constituindo o quadro de referência universal adotado pela OMS para descrever, avaliar e medir a saúde e a incapacidade quer ao nível individual, quer ao nível da população.
A CIF classifica a funcionalidade e a incapacidade, associadas a uma condição de saúde. (CIF - OMS, 2001).
A CIF é uma classificação com múltiplas finalidades e pode ser utilizada de forma transversal em diferentes áreas disciplinares e setores, tais como: saúde, educação, segurança social, emprego, economia, politica social, desenvolvimento de políticas e de legislação em geral e alterações ambientais.
Por representar um modelo biopsicossocial, a CIF apresenta uma visão coerente das diversas perspetivas da saúde: biológica, individual e social. Este modelo facilita também a divulgação de informação na área dos cuidados de saúde pessoais, da prevenção, promoção da saúde e aumento da participação, destruindo barreiras sociais e incentivando os apoios e facilitadores sociais.
A CIF - ESTRUTURA
FUNÇÕES DO CORPO
CAPITULO 1 – Funções mentais
CAPITULO 2 – Funções sensoriais e dor
CAPITULO 3 – Funções da voz e da fala
CAPITULO 4 – Funções do aparelho cardiovascular, dos sistemas hematológicos e imunológico e do aparelho respiratório,
CAPITULO 5 – Funções do aparelho digestivo e dos sistemas metabólicos e endócrino
CAPITULO 6 – Funções geniturinárias e reprodutivas
CAPITULO 7 – Funções neuromusculoesqueléticas e relacionadas com o movimento
CAPITULO 8 – Funções da pele e estruturas relacionadas
ATIVIDADE E PARTICIPAÇÃO
CAPITULO 1 – Aprendizagem e aplicação de conhecimentos
CAPITULO 2 – Tarefas e exigências gerais
CAPITULO 3 – Comunicação
CAPITULO 4 – Mobilidade
CAPITULO 5 – Auto cuidados
CAPITULO 6 – Vida doméstica
CAPITULO 7 – Interações e relacionamentos interpessoais
CAPITULO 8 – Áreas principais da vida
CAPITULO 9 – Vida comunitária, social e cívica
FATORES AMBIENTAIS
CAPITULO 2 – Ambiente natural e mudanças ambientais feitas pelo Homem
CAPITULO 3 – Apoio e relacionamentos
CAPITULO 4 – Atitudes
CAPITULO 5 – Serviços, sistemas e políticas
Consulte aqui toda a informação sobre a CIF
Deficiências
Deficiência Motora É uma disfunção física ou motora que poderá ser de carácter congénito ou adquirido. Esta disfunção irá afetar o indivíduo ao nível da mobilidade, na coordenação motora ou na fala. Assim, A deficiência física refere-se ao comprometimento do aparelho locomotor que compreende o sistema osteoarticular, o sistema muscular e o sistema nervoso. As doenças ou lesões (neurológicas, neuromusculares, ortopédicas e malformação) que afetam quaisquer desses sistemas, isoladamente ou em conjunto, podem produzir quadros de limitações físicas de grau e gravidade variáveis, segundo os segmentos corporais afetados e o tipo de lesão ocorrida.
As pessoas portadoras de uma deficiência de ordem física ou motora necessitam, por isso, de atendimento específico (serviço de fisioterapia, acompanhamento psicológico…) a fim de lidar com os limites e dificuldades decorrentes da deficiência e, simultaneamente, desenvolver todas as possibilidades e potencialidades.
Causas
- Paralisia cerebral: por prematuridade; anoxia perinatal; desnutrição; materna; rubéola; toxoplasmose; trauma de parto; subnutrição; outras.
- Hemiplegias: por acidente vascular cerebral; aneurisma cerebral; tumor cerebral e outras.
- Lesão medular: por ferimento por arma de fogo; ferimento por arma branca; acidentes de trânsito; mergulho em águas rasas.
Traumatismos diretos; quedas; processos infeciosos; processos degenerativos e outros.
- Amputações: causas vasculares; traumas; malformações congénitas; causas metabólicas e outras.
- Malformações congénitas: por exposição à radiação; uso de drogas; causas desconhecidas.
- Artropatias: por processos inflamatórios; processos degenerativos; alterações biomecânicas; hemofilia; distúrbios metabólicos e outros.
Tipos
•Monoplegia (paralisia em um membro do corpo)
•Hemiplegia (paralisia na metade do corpo)
•Paraplegia (paralisia da cintura para baixo)
•Tetraplegia (paralisia do pescoço para baixo)
•Amputação (falta de um membro do corpo)
Medidas preventivas:
• Maior consciencialização por parte das mulheres acerca da necessidade de fazer acompanhamento médico pré-natal;
• Existência de um maior número de pessoas habilitadas para o resgate de vítimas de acidentes de trânsito;
• Consciencialização para os riscos da hipertensão e da diabetes.
Deficiência Mental Deficiência mental…
É a designação que caracteriza os problemas que ocorrem no cérebro e levam a um baixo rendimento, mas que não afetam outras regiões ou áreas cerebrais.
Graus de deficiência mental
Embora existam diferentes correntes para determinar o grau de deficiência mental, são as técnicas psicométricas que mais se impõem, utilizando o QI para a classificação desse grau.
O conceito de QI foi introduzido por Stern e é o resultado da multiplicação por cem do quociente obtido pela divisão da IM (idade mental) pela IC (idade cronológica).Segundo a OMS, a deficiência
divide-se em:
- Profunda
• Apresentam grandes problemas sensório motores e de comunicação, bem como de comunicação com o meio;
• São dependentes dos outros em quase todas as funções e atividades;
• Excecionalmente terão autonomia para se deslocar e responder a treinos simples de autoajuda.
- Grave/severa:
• Necessitam de proteção e ajuda, pois o seu nível de autonomia é muito pobre;
• Apresentam muitos problemas psicomotores;
• Possuem uma linguagem verbal muito deficitária – comunicação primária;
• Podem ser treinados em algumas atividades de vida diária básicas e em aprendizagens pré-tecnológicas simples;
- Moderado/média:
• São capazes de adquirir hábitos de autonomia pessoal e social;
• Podem aprender a comunicar pela linguagem oral, mas apresentam dificuldades na expressão e compreensão oral;
• Apresentam um desenvolvimento motor aceitável e têm possibilidade para adquirir alguns conhecimentos pré-tecnológicos básicos que lhes permitam realizar algum trabalho;
• Dificilmente chegam a dominar as técnicas de leitura, escrita e cálculo;
- Leve/ligeira:
• São educáveis;
• Podem chegar a realizar tarefas mais complexas;
• Apresentam uma aprendizagem mais lenta, mas podem permanecer em classes comuns embora precisem de um acompanhamento especial;
• Podem desenvolver aprendizagens sociais e de comunicação e têm capacidade para se adaptar e integrar no mundo laboral;
• Apresentam atraso mínimo nas áreas percetivas e motoras;
• Geralmente não apresentam problemas de adaptação ao ambiente familiar e social.
Causas e fatores de risco
É importante alertar que, muitas vezes, apesar da utilização de recursos sofisticados na realização do diagnóstico, não se chega a definir com clareza a causa de deficiência mental. Na origem desta problemática podem estar:
Fatores Genéticos
Estes fatores atuam antes da gestação, pois a origem da deficiência está já determinada pelos genes ou herança genética, sendo fatores ou causas de tipo endógeno (atuam no interior do próprio ser).
Existem dois tipos de causas genéticas:
• Geneopatias – alterações genéticas que produzem metabolopatias ou alterações de metabolismo;
• Cromossomopatias – que são síndromes devidos a anomalias ou alterações nos cromossomas.
Fatores Extrínsecos
Fatores extrínsecos são fatores pré-natais, isto é, que atuam antes do nascimento do ser.
Podemos, então, constatar os seguintes problemas:
• Desnutrição materna;
• Má assistência à gestante;
• Doenças infeciosas;
• Intoxicações;
• Perturbações psíquicas;
• Infeções;
• Fetopatias; (atuam a partir do 3º mês de gestação);
• Embriopatias (atuam durante os 3 primeiros meses de gestação);
• Genéticos.
• etc
Fatores Perinatais e neonatais
São aqueles que atuam durante o nascimento ou no recém-nascido. Neste caso, podemos constatar os seguintes problemas:
• Metabolopatias;
• Infeções;
• Incompatibilidade RH entre mãe e recém-nascido;
• Má assistência e traumas de parto;
• Hipóxia ou anóxia;
• Prematuridade e baixo peso;
• Icterícia grave do recém-nascido (incompatibilidade RH/ABO).
Fatores Pós-Natais
São fatores que atuam após o parto. Observamos, assim, os seguintes problemas:
• Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global;
• Infeções;
• Convulsões;
• Anoxia (paragem cardíaca, asfixia…);
• Intoxicações exógenas (envenenamento);
• Acidentes;
• Infestações.
Deficiência Auditiva
A audição…
A audição, tal como os restantes sentidos, é muito importante para o nosso desenvolvimento como indivíduo, como parte da sociedade. Já antes do nosso nascimento, a audição é o primeiro sentido a ser apurado, através do diálogo da mãe com o seu bebé, dos novos sons, do conhecimento do mundo que nos rodeia.
Deficiência Auditiva / Surdez
A deficiência auditiva, trivialmente conhecida como surdez, consiste na perda parcial ou total da capacidade de ouvir. É considerado surdo todo o individuo cuja audição não é funcional no dia-a-dia, e considerado parcialmente surdo todo aquele cuja capacidade de ouvir, ainda que deficiente, é funcional com ou sem prótese auditiva.
Por vezes, as pessoas confundem surdez com deficiência auditiva. Porém, estas duas noções não devem ser encaradas como sinónimos.
A surdez, sendo de origem congénita, é quando se nasce surdo, isto é, não se tem a capacidade de ouvir nenhum som. Por consequência, surge uma série de dificuldades na aquisição da linguagem, bem como no desenvolvimento da comunicação.
Por sua vez, a deficiência auditiva é um défice adquirido, ou seja, é quando se nasce com uma audição perfeita e que, devido a lesões ou doenças, a perde. Nestas situações, na maior parte dos casos, a pessoa já aprendeu a se comunicar oralmente. Porém, ao adquirir esta deficiência, vai ter de aprender a comunicar de outra forma.
Em certos casos, pode-se recorrer ao uso de aparelhos auditivos ou a intervenções cirúrgicas (dependendo do grau da deficiência auditiva) a fim de minimizar ou corrigir o problema.
Tipos de deficiência auditiva
Condutiva
Sensório-Neural
Mista
Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central
Condutiva
A perda auditiva resultante de um problema localizado no ouvido externo ou no ouvido médio é chamada de perda auditiva condutiva. É causada por algum bloqueio que impede a passagem correta do som até o ouvido interno, como rolha de cera, secreção na orelha média, infeções na orelha média, calcificações na orelha média, disfunção na tuba auditiva
As perdas auditivas condutivas não são necessariamente permanentes, sendo reversíveis por meio de medicamentos e cirurgias.
Sensório-Neural
Resulta de danos provocados pelas células sensoriais auditivas ou no nervo auditivo. Este tipo de perda pode dever-se a um problema hereditário num cromossoma, assim como, pode ser causado por lesões provocadas durante o nascimento ou por lesões provocadas no feto em desenvolvimento, tal como acontece quando uma grávida contrai rubéola.
A sujeição a ruídos excessivos e persistentes aumenta a pressão numa parte do ouvido interno – o labirinto – e pode resultar numa perda de audição neuro sensorial. Essa perda pode variar entre ligeira e profunda. Nestes casos, o recurso à amplificação do som pode não solucionar o problema, uma vez que é possível que se verifique distorção do som.
Auditiva Mista
Na deficiência auditiva mista verifica-se, conjuntamente, uma lesão do aparelho de transmissão e de receção, ou seja, quer a transmissão mecânica das vibrações sonoras, quer a sua transformação em perceção estão afetadas/perturbadas.
Esta deficiência ocorre quando há alteração na condução do som até ao órgão terminal sensorial ou do nervo auditivo. A surdez mista ocorre quando há ambas as perdas auditivas: condutivas e neuro- sensoriais.
Auditiva Central / Disfunção Auditiva Central / Surdez Central
Não é, necessariamente, acompanhada de uma diminuição da sensibilidade auditiva, contudo manifesta-se por diferentes graus de dificuldade na perceção e compreensão das informações sonoras. Este tipo de deficiência é determinado por uma alteração nas vias centrais da audição, que decorre de alterações nos mecanismos de processamento da informação sonora no sistema nervoso central.
Deficiência Visual Visão
A visão é um dos sentidos que nos ajuda a compreender o mundo à nossa volta, ao mesmo tempo que nos dá significado para os objetos, conceitos e ideias.
Deficiência Visual
É a perda ou redução da capacidade visual em ambos os olhos, com caráter definitivo, não sendo suscetível de ser melhorada ou corrigida com o uso de lentes e/ou tratamento clínico ou cirúrgico. De entre os deficientes visuais, podemos ainda distinguir os portadores de cegueira e os de visão subnormal.
Causas
• Congénitas: amaurose congénita de Leber, malformações oculares, glaucoma congénito, catarata congénita.
• Adquiridas: traumas oculares, catarata, degeneração senil de mácula, glaucoma, alterações relacionadas com a hipertensão arterial ou diabetes.
Sinais de alerta
• Desvio de um dos olhos;
• Não seguimento visual de objetos;
• Não reconhecimento visual de pessoas ou objetos;
• Baixo aproveitamento escolar;
• Atraso de desenvolvimento;
• Olhos vermelhos, inflamados ou lacrimejantes;
• Pálpebras inchadas ou com pus nas pestanas;
• Esfrega os olhos com frequência;
• Fecha ou tapa um dos olhos;
• Segura os objetos muito perto dos olhos;
• Inclina a cabeça para a frente ou para trás, piscando ou semicerrando os olhos para ver os objetos que estão longe ou perto;
• Quando deixa cair objetos pequenos, precisa de tatear para os encontrar;
• Cansa-se facilmente ou distrai-se ao utilizar este sentido durante muito tempo.
Consequências da baixa visão
Perceção turva
• Os contrastes são poucos percetíveis;
• As distâncias são mal apreciadas;
• Existe uma má perceção do relevo;
• As cores são atenuadas.
Escotoma central e visão periférica
• Funciona apenas a retina periférica, que não é tão discriminativa, pelo que pode ser necessária a ampliação da letra para efeitos de leitura;
• É em geral impeditiva das atividades realizadas com proximidade dos restantes elementos, bem como da leitura;
• Apresenta acuidade visual baixa (cerca de 1/10).
Visão tubular
• A retina central funciona, podendo a acuidade visual ser normal;
• A visão noturna é reduzida, pois depende funcionalmente da retina periférica;
• Podendo não limitar a leitura, é muito limitativa nas atividades de autonomia.
Patologias que conduzem à baixa visão
Atrofia do nervo ótico;
Alta miopia;
Cataratas congénitas;
Degeneração macular;
Glaucoma;
Síndrome USHER;
Doença de Stargardt;
Algumas estratégias para Pais e Educadores
Apesar de não existirem receitas eficazes para as diferentes situações, além de que cada criança tem o seu próprio desenvolvimento dentro de determinado diagnóstico, de seguida estão identificadas algumas estratégias que poderão interessar aos pais e familiares.
1. Sobredotação - Dar brinquedos diferenciados que promovam a aprendizagem interativa;
- Permitir liberdade para brincar, sem a intervenção constante dos pais;
- Incentivar trabalhos/atividades específicas, como por exemplo, pintar, tocar um instrumento musical, entre outros;
- Ter contacto com outras crianças sobredotadas e partilhar juntos atividades, tarefas e/ou cursos;
- Frequentar atividades de extracurriculares;
- Incentivar a colocar perguntas, ajudando-o a encontrar as respostas consultando manuais, internet, entre outros recursos;
- Responder às suas questões com clareza e precisão;
- Envolvê-lo em tarefas diárias;
- Ajudá-lo a lidar com o insucesso, mostrando-lhe que também erra e levando-o a encarar o erro como uma aprendizagem.
2. Hiperatividade com défice de atenção - Dividir os trabalhos mais longos em partes mais pequenas;
- Estabelecer objetivos a curto prazo;
- Dar uma tarefa de cada vez;
- Ignorar comportamentos inadequados menos relevantes;
- Reforçar comportamentos adequados, reagindo ao comportamento positivo com elogios, por exemplo;
- Incentivar interações sociais;
- Permitir pausas entre as tarefas e/ou atividades;
- Dialogar de forma clara e suave, principalmente quando a criança se mostrar nervosa;
- Incentivar à organização, estabelecendo regras;
- Supervisionar a realização dos trabalhos de casa;
- Ensinar a criança a auto monitorizar o seu comportamento;
- A terapia medicamentosa poderá ser usada em casos mais graves, embora com efeitos secundários, pelo que o seu uso deve ser controlado e sempre orientado pelo médico ou (pedo)psiquiatra.
3. Trissomia 21Nos casos de trissomia 21 o trabalho deverá ser em equipa (multidisciplinar), assumindo a família um papel fulcral no incremento das várias competências e autonomia da criança, do jovem e do adulto com trissomia 21. A intervenção deverá assim abranger várias áreas: saúde, social, familiar e áreas específicas do desenvolvimento (motricidade global, motricidade fina, comunicação, competências percetivas e outras competências cognitivas). Entre os familiares e profissionais, destacam-se as seguintes:
- Estimulação sensorial;
- Utilização dos estímulos visuais como elemento facilitador para adquirir e potenciar competências (por exemplo, utilizar a modelação e demonstração de ações);
- Desenvolvimento da noção de esquema e consciência corporal;
- Desenvolvimento de atividades que envolvam a motricidade fina e a destreza manual;
- Estimulação da coordenação óculo-manual;
- Diminuição da tendência para o outro realizar as tarefas, principalmente da criança com trissomia (o adulto poderá facilitar, se necessário, a atividade, simplificando-a ou planeando-a);
- Realização das atividades da vida diária, sempre que possível, em contexto real (casa, escola…);
- Intervenção precoce;
- Terapia ocupacional;
- Fisioterapia;
- Estímulo da autonomia para as atividades da vida diária;
- Outras terapêuticas: musicoterapia, hidroterapia e hipoterapia;
- Prática de atividades desportivas, recreativas e artísticas (como a ginástica, natação, dança, aprendizagem de instrumentos musicais);
- Realização de atividades para melhoramento do funcionamento fonológico;
- Estimulação cognitiva;
- Estimulação sócio emocional.
4. Paralisia CerebralÉ difícil prever os efeitos da paralisia cerebral, principalmente numa criança pequena. A paralisia cerebral não se agrava com a idade, embora algumas dificuldades se possam tornar mais visíveis e as suas prioridades mudem: enquanto é pequeno, por exemplo, a atenção principal pode passar por ajudar a sentar-se, mas mais tarde a preocupação poderá passar pelas competências de comunicação e linguagem.
Não existe cura para a paralisia cerebral, mas se as crianças forem levantadas, apoiadas e bem posicionadas desde pequenas e incentivadas a brincar de uma forma que favoreça a sua postura e controlo muscular, podem aprender bastante e levar uma vida gratificante.
As crianças com paralisia cerebral têm tendência para se deitarem ou sentarem de certa forma, porque os seus músculos por vezes contraem-se em espasmos, e podem ter problemas com as articulações. Fazer fisioterapia e terapia ocupacional pode ajudar a reduzir o risco dessas complicações se desenvolverem.
Algumas sugestões:
- Ajudar a criança a movimentar-se devagar, dando-lhe oportunidade de se ajustar às mudanças de posição.
- A criança pode tornar-se mais rígida e ter mais espasmos quando está deitada de costas, por isso poderá beneficiar se a deitar de lado ou de barriga para baixo, apoiando-a com almofadas se necessário e mudá-la de posição mais ou menos de 20 em 20 minutos.
- Ajude a criança a aprender a usar as mãos desde o princípio deixando-a sentir objetos com diferentes texturas, e incentivando-a a agarrar brinquedos e outros objetos. Pode ser útil colocar brinquedos bem amarrados à sua cadeira.
- Permitir que aprenda as formas mostrando-lhe objetos simples e estimulando-a a manuseá-las e a brincar com eles.
- Quando brinca, deve-se deixar escolher entre dois ou três brinquedos, depois deverão guardar aqueles que não quer. Se ele estiver rodeado de muitos brinquedos, irá distrair-se com facilidade.
- Mostre sempre como funciona qualquer brinquedo novo, não uma mas muitas vezes.
- Uma criança de três ou quatro anos com paralisia cerebral pode querer ajudar nas tarefas diárias em casa, tal como qualquer outra criança. Deve-se explicar o que está a fazer e deixá-la observar e se possível participar.
- Se parecer que a criança não quer brincar, os pais devem mostrar-lhe como é divertido começando a brincar com os brinquedos dela, e convidando-a a juntar-se-lhes.
- A terapia da fala poderá ajudar, numa fase precoce, ao nível da estimulação oral, incluindo a minimização dos problemas de alimentação. A este nível, a criança deverá começar a diversificação alimentar da mesma forma que uma criança com desenvolvimento normal, para contactar com diferentes sabores, diferindo apenas a consistência dos alimentos (adequada às dificuldades alimentares).
- Nos casos de crianças muito magras, poderá ser necessária a introdução de suplementos vitamínicos que deverão ser administrados com supervisão (preferencialmente com o médico e nutricionista).
- Associar a hora do banho à brincadeira.
- Estimular a criança a vestir e a despir-se sozinha, aproveitando para ensinar as partes do corpo e conversar sobre as peças de vestuário.
- Usar diferentes formas de comunicação: pelo olhar, sorriso, expressão da face, movimentos do corpo, gesto, palavra, desenho ou escrita.
- Proporcionar um ambiente estimulante, falando para a criança ainda que ela não responda. Aproveitar para falar de tudo o que a rodeia, das pessoas, dos animais… contribuindo assim para aumentar o vocabulário, com linguagem de acordo com a idade real, ajudando-a a crescer.
- Estimular o relacionamento interpessoal, frequentando o ensino regular, frequentando diferentes espaços públicos (lojas, jardim, praia, campo, casas de amigos) e promovendo a sua participação em atividades de tempos livres e convívio com a natureza.
5. Autismo - A intervenção terapêutica pode ajudar a diminuir os comportamentos indesejados e a educação deve ensinar atividades que promovam uma maior autonomia e independência.
- Modificação do comportamento: substituição de comportamento disfuncional (birras, bater com a cabeça, agressividade, etc.) por comportamentos desejáveis, através de um sistema de recompensas.
- Descontração e massagens: a criança é ensinada a descontrair-se usando massagens, música, toque e mensagens verbais. Mas tarde, as mensagens verbais podem ser usadas quando a criança está mais tensa; ao associar as palavras com a sensação de descontração, a criança dissipa a tensão. A massagem ajuda as crianças autistas a ligarem-se às pessoas pelo toque.
- Terapia de abraços: dar à criança autista imensos abraços e carícias, independentemente da sua indiferença.
- Brincar e dançar frente ao espelho: desenvolvendo exercícios corporais e fazendo comentários de modo a auxiliar a criação do sentimento de consciência do eu e dos outros.
- Terapia da fala: a terapia da fala pode ajudar a melhorar as competências comunicativas do seu filho. Se ele não fala ou se a linguagem é muito limitada, pode ser útil ensinar-lhe uma linguagem gestual, que complementa a fala em vez de a substituir.
- Utilização de jogos e brincadeiras, situações-problema, combinação de palavras, objetos, figuras e gestos enquanto meio da criança comunicar;
- Valorizar a intenção comunicativa da criança, com o cuidado de limitar a linguagem ao léxico da criança, usar frases simples e curtas, falar devagar e claramente, saber esperar, não exagerando a entonação da voz e das expressões faciais;
- Reduzir a linguagem verbal e aumentar o apoio visual quando a criança estiver triste ou stressada;
- Psicoterapia: implica trabalhar com toda a família de forma a que os pais e irmãos, se existirem, compreendam o comportamento da criança autista e as suas consequências. Em alguns casos, a própria criança pode receber psicoterapia individual;
- Outras terapias, como a musicoterapia, a hipoterapia, PECS (comunicação por figuras), terapia ocupacional.
Síndrome de Asperger:
- Intervenções terapêuticas: intervenção psicológica e/ou pedagógica, psicoterapia, apoio educativo, treino de competências e mudança comportamental.
- Ao nível social: elogiar e valorizar os seus esforços, reconhecendo o desempenho; proporcionar experiências de sucesso; integrar os interesses no currículo escolar e nas aprendizagens; utilizar os interesses como recompensa; manter uma estreita ligação escola/família.
- Ao nível comunicacional: manter contacto visual com a pessoa; utilizar uma linguagem simples, clara e precisa; compreender que a falta de tato que manifestam acontece devido ao seu défice de socialização; estruturar com progressiva complexidade as tarefas a executar; garantir que a criança compreende o que se espera dela; limitar a vivência dos interesses a determinado momento e espaço; dar ordens simples, claras e precisas, verificando se são bem compreendidas e, caso não aconteça, repetir.
- Ao nível comportamental: prepará-la para todas as mudanças de ambiente e/ou rotinas, garantindo, assim, um conhecimento prévio acerca de uma situação nova; antecipar a execução de uma tarefa; ajudá-la a lidar com as mudanças; não castigá-la mas sim propor comportamentos alternativos; compreender o que lhes causa stress; compreender que não conseguem interpretar as emoções dos outros.
- Organizar o ambiente de sala de forma adequada, evitando pequenas coisas que possam distrair e/ou perturbar a criança/jovem;
- Evitar mudanças.
- Providenciar um ambiente seguro e previsível.
- Oferecer rotinas diárias consistentes: a criança deve compreender cada rotina diária e saber o que esperar, de forma a concentrar-se na tarefa que está a realizar.
- Prevenir situações de medo do desconhecido. Quando uma criança muda de escola deve visitá-la e conhecer o educador. Trabalhos ou atividades da antiga escola devem ser fornecidos nos primeiros tempos de adaptação à nova escola.
- Promover o envolvimento com os outros.
- Estabelecer objetivos concretos.
- Concentrar na capacidade excecional de memória destas crianças: a retenção concreta é normalmente a sua área forte.
- Manter a calma e basearem-se em factos concretos.
6. Deficiência auditiva
As intervenções na deficiência auditiva deverão variar de acordo com o grau de severidade, mas seguem-se algumas sugestões de intervenção que os pais devem ter conhecimento:
- Os progressos tecnológicos dos últimos tempos têm sido pontos bastante rentáveis para as pessoas que apresentam falhas auditivas.
Porém, quanto mais cedo se iniciar o tratamento, também melhor serão os resultados, uma vez que quanto mais cedo se iniciar a estimulação do cérebro, melhor será o seu desenvolvimento.
- Para minimizar o problema da deficiência auditiva, os pais podem recorrer a dois métodos: método oralista (consiste na aquisição de linguagem oral, sem intervenção de gestos estruturados) e método gestualista (consiste no ensino de linguagem oral, ainda apresenta um sistema estruturado de gestos, baseando-se na defesa da linguagem gestual).
- Acompanhamento por uma equipa multidisciplinar incluindo pediatras, otorrinolaringologistas, fonoaudiólogos e psicólogos e terapeutas da fala.
- Próteses auditivas, associadas ao uso e treino auditivo especializado podem alcançar bons resultados.
- Implantes cocleares.
- Equipamentos autónomos de amplificação por frequência modulada.
- Apoiar a exposição verbal com elementos visuais (gráficas demonstrações).
- Usar um grande número de sinais e de movimentos com as mãos, gestos.
- Manter o contacto ocular e falar de frente para a criança.
- Falar constantemente com a criança para aprender a ler os movimentos dos lábios.
- Ajudar a comunicar por escrito nas tarefas escolares (quando já frequenta a escola).
- Promover a participação nas atividades sociais: festas, aniversários, entre outras.
- Intervir em questões, sob a orientação de profissionais, como a atenção, a perceção, a memorização auditiva, os traços de sonoridade, a discriminação auditiva, o vocabulário e os conceitos abstratos como o amor e a saudade que, na maioria das vezes, são de difícil compreensão para o paciente com deficiência auditiva.
7. Deficiência visual- Estimulação visual: motivar a criança a alcançar, tocar, manipular e reconhecer o objeto; ensinar a “olhar” para o rosto de quem fala; ajustar uma área onde a criança possa brincar em segurança e onde os objetos estejam ao alcance dos seus braços; poderá ser usada fita-cola de diferentes cores para contrastarem com os objetos da criança, de modo a torná-los mais visíveis.
- Estimulação do tato: discriminar diferentes texturas; experimentar materiais com formas e feitios com contornos nítidos e cores vivas; distinguir a temperatura dos líquidos e sólidos; mostrar como pode manipular o objeto.
- Estimulação auditiva: ouvir barulhos ambientais, gravadores, rádios…; identificar sons simples; distinguir timbres e volumes dos sons; discriminar a diferença entre duas frases quase iguais; desenvolver a memória auditiva seletiva.
- Estimulação do olfato e do paladar: provar e cheirar diferentes comidas (salgadas, doces e amargas); cheirar vinagre, perfumes, detergentes, sabonetes e outros líquidos com cheiros fortes.
- A reabilitação é essencial no processo de inserção na sociedade, dado que a redução ou a privação da capacidade de ver traz consequências para a vida do indivíduo, tanto no nível pessoal como no funcional, colocando-o, na maioria das vezes, à margem do processo social, segurança psicológica e nas habilidades básicas;
- Orientação e movimentação no espaço: processo prolongado e sequenciado que deve começar o mais cedo possível, mas as técnicas mais utilizadas são: guia normovisual; uso da bengala; cão guia.
- Quando integradas na escola: os programas educativos direcionados para os deficientes visuais devem ir ao encontro das mesmas áreas e atividades que se encontram nos programas regulares (sendo feitas adaptações consoante as necessidades e dificuldades dos alunos); ajuste do tempo ao seu ritmo de trabalho; planificação de atividades; adaptação do processo de avaliação.
Em suma, o futuro de crianças com deficiência ou incapacidade, como o de qualquer outra, é construído degrau a degrau, cabendo a todos que com ela interagem, ajudá-la a desenvolver ao máximo as possibilidades presentes e estimularem-na a atingir a etapa seguinte, ainda que muito lentamente. O dinamismo e empenho das famílias na procura de soluções para as necessidades destas crianças são imprescindíveis.
Família e instituições, trabalhando em colaboração e em equipa, darão um contributo ativo e importante para o bem-estar de todos.
4550-736 Castelo de Paiva Telf.: 255 698 013
Fax: 255 696 157
E-mail: geral@centrosocialdesardoura.com

